segunda-feira, 14 de abril de 2014

Capítulo 4 - Rays of Draw


Rays of Draw
Korina
Sonhos não morrem, apenas adormecem na alma da gente
Chico Xavier




                - [1]Algumas pessoas do planeta, ao deixarem a vida, veem suas almas migrarem para um lugar de transição. Esse lugar é inteligentemente arranjado por outras almas (que aqui já vamos tratar de chamar de espíritos). Estes são perversos. São gênios impiedosos que os ajuntam em comunidades escuras de ódio e desespero. (Continuou Salatiel)
                              - Esse lugar fica localizado próximo à crosta terrestre e é um local transitório para espíritos de baixo desenvolvimento espiritual, e é ali que ficam para resgatar suas dívidas, seus crimes e para que possam continuar sua evolução.
                              - É povoado por sofrimento e dor, sem contar o cheiro fétido que caracteriza o nível moral de seus habitantes.
               - Lá eles se organizam em verdadeiras cidades de espíritos que se escondem de si mesmos, envergonhados e amparados uns nos outros. Agrupam-se, conforme suas afinidades, em cidades, vilas e núcleos.
                              - O “chefe”, digamos assim, é o que vive no melhor prédio, e no local existem salões para festas, salões para julgamento, salões para audiências, enfim, nos moldes que conhecemos no planeta. Livros, revistas, jornais em sua grande maioria também editados na Terra, com a diferença que na Terra existem literaturas para o bom e para o mau. Lá só tem para o mau.
                        - Qual o nome deste lugar? (Perguntou Korina)
              - Tem vários nomes, por exemplo: Sheol, Mitologia Hebraica. Di Yu, o inferno da mitologia chinesa; Hades, o inferno da mitologia greco-romana; Helgardh, o inferno da mitologia nórdica; Mundo dos mortos, o inferno da mitologia egípcia; Mag Mell, o inferno da Mitologia irlandesa; Ne no Kuni e Yomi no Kuni, os infernos da mitologia japonesa. Todos se referem a ele como um lugar de sofrimento e dor, o inferno, pra resumir. Prefiro chama-lo de Baixo Astral, onde estas almas se concentram por sintonia. Outros chamam de vale dos suicidas, já que estas almas entraram num processo destrutivo de seu corpo físico, matéria que não se desgruda tão facilmente do corpo espiritual, sua densidade vibra além da culpa e profundo arrependimento o que gera um sofrimento quase interminável.
                        - Quando uma pessoa, jovem e sadia, morre violentamente, como aconteceu com você, as consequências são terríveis pelo motivo de que o corpo fica denso e com baixíssimas vibrações, consequentemente acaba caindo no Baixo Astral e não necessariamente estão ali por castigo ou expiação e sim pela densidade do corpo astral, como aconteceu com você e, nestes casos, acabam tendo interferência de colaboradores do plano espiritual superior que as ajudam a desvencilhar-se das energias densas e as trazem para cá.
                        - Como assim? Vamos ver se entendi. Então nós estamos em um lugar ao redor da Terra, num plano, digamos, extra físico?
                        - Exatamente.
                        - E eu vim parar num destes lugares depois que fui assassinada no planeta. Este lugar onde eu estava não era o lugar em que estaria se eu tivesse saído do planeta em condições naturais, por doença ou velhice ou coisa semelhante?
                        - Isso mesmo.
                        - E quanto as pessoas que são mortas em grandes conflitos? Guerras, genocídios...
                        - Bem, isso já segue uma outra linha que terei prazer em explicar, se for necessário, mais adiante. Digo, se for necessário, porque em breve e aos poucos, você retomará sua consciência e talvez nada do que estamos falando agora precise ser dito. Mas, para começar e para que não fique sem nenhuma resposta, os grandes conflitos, as grandes guerras ou catástrofes, naturais ou provocadas, acontecem, na maioria das vezes, por propósitos superiores.
                        - Propósitos superiores?
                        - Limpeza irmã. Às vezes para se fazer uma boa faxina, a casa precisa estar vazia.
                        - Não consigo ver isso como “propósito superior”, mas, como você mesmo disse, voltaremos a falar sobre isso.
                        - Ou, como eu disse, talvez não seja necessário.
                        - Mas me fale, quem era o ancião que me abordou quando despertava naquele lugar?
                        - Verbene Shirbazar. Cigano, de má índole, nascido na Mongólia na época imperial de Genghis  Khans e morto numa emboscada, em Ulan Bator, aos 65 anos, quando tentava assaltar, pela oitava vez, uma comunidade nômade que vivia nas cercanias da cidade.
                        - E como ele me conhecia? Quero dizer, de onde me conhecia que até meu nome sabia?
                        - Ele, na verdade, era ligado a Simic. Era o obsessor de Simic, um infeliz desencarnado que usava Simic pra sentir o gosto da bebida, do sexo, do fumo ou da comida. Um doente espiritual que por varias vezes tentamos resgatar, mas infrutiferamente, porque ele acredita pertencer a uma ordem sobrenatural liderada por Satanás. Um exercito poderoso que pretende dominar a todos quantos puderem recrutar para destruí-los no final. Então era por esse motivo que ele a conhece e a detesta.
                        - Me detesta?
                        - Sim. Por causa do amor que Simic sente por você, ele se afastou de qualquer espécie de prazer menor. Bebidas, sexo barato, fumo. Você, pelo seu amor, estava salvando Simic da interferência de Verbene, com isso, ele perdia seu canal de alimentação das coisas terrenas.
- E Simic??? Onde está? Eu o verei novamente?
                        - Simic e Verbene estão juntos.
                        - Sim, você já disse isso.
                        - Não Korina, eu não me expressei direito. Simic e Verbene estão juntos no mesmo plano. Em outras palavras: Eles estão juntos naquele lugar de onde a resgatamos.
                        - Mas, como assim? Ele tinha ido encontrar-se com os amigos para fugirem pelas montanhas da Albânia e...
                        - Ele também foi atingido por um soldado. Quando viu que tinham acertado em você, voltou gritando e o soldado o alvejou.
                        - Então quando é que vou vê-lo? Vocês vão resgata-lo também, não é? Ele não pertence aquele lugar, do mesmo modo que eu. Foi uma fatalidade... Um assassinato.
                        - Korina, tranquilize-se. Tudo em seu tempo. Procure agora descansar. Você o verá sim, são almas próximas. Deixe que a providência divina trabalhe a seu favor, como sempre fez. No momento certo, no relógio Dela, tudo se fará para o bem.
  

“Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores.
Você tem perseverado e suportado sofrimentos por causa do meu nome, e não tem desfalecido.
Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor.” 
Apocalipse 2:2-4



[1] Livre interpretação de textos das seguintes fontes: “O martírio dos suicidas” de Almerindo Martins Castro, “Nosso Lar” de Francisco Candido Xavier, “Nos bastidores da Obsessão” de Divaldo Pereira Franco e “Céu e inferno” de Allan Kardec.

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