PROLOGO
Conversa
de gente grande
Vamos combinar uma coisa aqui, antes que comece sua
leitura: Todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer.
Não há quem volte
para nos trazer noticias de como é do lado de lá da vida e existem (muitas)
pessoas que não acreditam que haja vida após a morte. Com toda a sinceridade
não acredito na sinceridade desta convicção e, bem, aos que assim acreditam,
quero fazer uma pergunta:
- Que sentido
extraordinário está dando a sua vida, já que ela vai acabar definitivamente?
Há aqueles que
acreditam que ao morrer, dorme-se um sono profundo que só será interrompido no
dia do juízo final, e estes são muitos, protestantes, cristãos evangélicos,
etc, o que me leva a ficar preocupado com a quantidade de pasta de dente que
será necessário para a higiene de tantos despertos no tal dia do juízo. Não sei
se teremos tanto estoque no planeta.
Há os que acreditam
no purgatório, ou em zonas de expiação transitórias, como espíritas e
católicos, por exemplo, apesar de crerem de maneiras diferentes. Um enxerga
esse lugar como um lugar de aprendizado e evolução, outro como se tivesse de
cumprir um determinado tempo de reclusão para poder, depois desse tempo, ser
separado para o céu ou para o inferno, ambos eternos.
Existem muitas
outras maneiras de se relacionar com o que vem depois da morte física, mas o
ambiente que criei aqui, neste livro, não é baseado em nenhuma doutrina ou
religião, mas em fatos colhidos de experiências relatadas (algumas) e
obviamente de um processo de criação em que me baseei na seguinte lógica: Não acaba quando acaba. Em
outras palavras, eu acredito que exista vida após a morte e procurei, na minha
fantasia, criar os ambientes necessários para a continuação da história, da
maneira que assisto do lado de cá da morte, o que está do lado de lá da
cortina, já que, como eu disse antes, ninguém voltou pra me contar como é de
fato.
Eu por exemplo,
acredito que as palavras inspiradas pelo espírito de Deus estejam no evangelho
e procuro seguir o que lá está escrito. Vou aos cultos da igreja que me sinto
mais confortável, mas não sou membro de nenhuma para não ter que seguir nenhuma
regra doutrinária que ela estabeleça e para ter a liberdade de, por exemplo,
discordar de algumas delas. Para alguns, um herege, para outros um oportunista,
mas, sinceramente, não me importo com nada disso, é com Deus que tenho
compromisso e procuro honra-lo nos textos que se seguem e na vida, de um modo
geral, porque, depois dela, sei que vamos ter uma conversa de gente grande e
Ele sim, pode me julgar ou puxar a orelha se concluir que não fui sincero.
Dirceu W. Ramos
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